Houve um tempo, e para uma determinada parcela da população, em que aos homens e mulheres maduros, o cuidado dos netos, o aconselhamento aos filhos, e o aprofundamento nas questões do espírito compunham a imagem de uma velhice ideal.
Chegamos ao século XXI, e aqui no Brasil, para uma significante parcela da população, independentemente do gênero e classe social, a outrora tão esperada tranquilidade talvez demore um pouco a chegar, se é que chegará como uma condição exclusiva e ideal.
Trabalharemos muito mais do que talvez, gostaríamos ou planejamos em nossa inocente juventude.
Buscar responsabilizar o mercado, a perda de direitos trabalhistas, as novas e mais fragmentadas configurações familiares, ou o estilo nômade que nossa sociedade globalizada nos oferece como alternativa para seguirmos em frente, em termos práticos, não nos ajuda: estas são as características do espírito da época.
Isto não significa que não devemos ser críticos, e em alguma medida, trabalharmos para ser agentes de mudança de uma realidade que excludente e opressora.
E sim, há muito mais alternativas para buscar e manter a vitalidade e a saúde hoje do que há alguns anos, e, felizmente muitos têm a condição de seguir adiante com seus novos projetos profissionais, arrojados, inovadores, flexíveis nos mais diversos formatos, e que permitem aos ditos profissionais maduros uma vida ativa e moralmente adequada aos tempos em que vivemos.
Há que se ter cuidado, porém, com algo muito importante: temos uma alma!!
Algo como uma sementinha invisível, imaterial, irracional e como qualificou Nilton Bonder, imoral e transgressora que está pouco se importando para as demandas do ambiente externo.
Esta sementinha foi alimentada durante o verão e a primavera de cada vida por meio das escolhas que foram feitas, das subjetividades produzidas e especificidades de cada história.
Para certos indivíduos o broto chega com a força de algo que se tornará um grande cedro, para outros, vem com a alegria de um girassol, e ainda há aqueles a quem a semente aponta para algo elegante e delicado como uma Begônia Maculata.
O espaço necessário para cada broto, entretanto, é pessoal e precisará ser identificado e cultivado por cada um, de uma forma muito individual e específica.
É por reconhecer este movimento maravilhoso que nos ocorre a todos, de uma forma ou de outra, que recomendo: se engajem em seus projetos profissionais, mas cuidem, também, do pedido de sua alma!
Em tempos de Urban Jungle, tratar dos processos de transições de carreira, ou ainda, investir em processos psicoterapêuticos ou analíticos voltado ao autoconhecimento, como quem cultiva um importante e precioso jardim interno parece-me bastante adequado.