Há muitas maneiras de se olhar para as manifestações psíquicas, e cada uma delas tem suas aplicações, vantagens e méritos específicos.
Existem abordagens que atuam sobre o sintoma, e tem como objetivo tornar o indivíduo funcional, minimizando ou eliminando sofrimentos de várias intensidades e sintomas de várias naturezas.
Mas, e se, para além da necessidade de tornar-se funcional, o que há por trás de um sintoma, é o pedido da psique para que novos conteúdos sejam reconhecidos e assimilados, ou ainda, que há uma necessidade incompreensível de que existe uma mudança na dinâmica psíquica em pleno curso, e que é necessário ajustar algo no funcionamento externo para que a coerência entre estes dois mundos, o interno e o externo, sejam mantidas?
Em “A Natureza da Psique” obra publicada pela primeira vez em 1948, Jung ao descrever as características dos arquétipos, situando-os basicamente em duas categorias, uma arquetípica e outra instintiva, nos mostra o quanto há de desconhecido no dinamismo psíquico, e que alguns fenômenos “se nos parecem absurdos, isto prova-nos unicamente que não os entendemos”.
É claro que muita evolução no campo da Psicologia, em especial com o desenvolvimento das neurociências, houve desde então.
Apesar disto, ainda há muito a ser compreendido no campo da psique e das emoções, e isto é uma unanimidade entre os vários ramos da ciência.
Mas então, o que fazer com os sintomas ? Como lidar com o sofrimento que pode ser debilitante em muitos casos?
Que tal considerar os sintomas como uma manifestação de um aspecto de sua humanidade que precisar ser reconhecido, integrado ou transformado?
E se formos além do diagnóstico que posiciona o indivíduo em um ou outro ponto de uma curva estatística, e olharmos para o indivíduo como quem olha para uma paisagem num caleidoscópio, que mais do que ser “corrigida” precisa ser contemplada e compreendida em suas várias possibilidades de manifestações ?
E se buscarmos um equilíbrio entre o parecer “estar bem” necessário para se seguir em frente, e o buscar compreender os sintomas muitas vezes secretos e inconfessos num ambiente seguro de um setting terapêutico ?
Nos últimos dois anos, foram muitos os desafios impostos à nossa vida psíquica, estar atento aos sinais de cansaço, ou à eventuais estranhezas de si, é fundamental para o início de um trabalho que pode ser em certa medida profilático, quando pensamos em saúde mental.